Jogador Vini Jr. com a nova camisa amarela da Seleção Brasileira de 2026. Foto CBF/Divulgação

As Copas do Mundo são grandes paradoxos da modernidade: por um lado, são eventos que despertam paixões e mobilizam bilhões de pessoas ao redor do mundo. Por outro, são vitrines que expõem contradições contemporâneas, evidenciando desigualdades sociais, impactos ambientais severos e o forte peso das hegemonias políticas dominantes e dos interesses prevalentes do mercado financeiro. 

Particularmente, para nós, brasileiros e brasileiras, este é um tema ainda mais sensível, pois, não sem motivo, somos conhecidos como o “País do Futebol” e o envolvimento do nosso povo com este esporte é histórico e muito profundo, marcado por glórias triunfais e grandes tristezas. 

Mas, infelizmente, esta Copa do Mundo de 2026, que está em andamento e é sediada nos Estados Unidos da América – EUA, Canadá e México, para além de todas essas questões, tem sido marcada por graves ocorrências de discriminação racial, xenofobia e violência institucional. 

O evento tem exposto contradições e tensões geopolíticas, envolvendo, principalmente, delegações africanas e de países de maioria muçulmana, além de alguns incidentes de racismo por parte de torcedores. Tudo isso com a incômoda complacência e omissão do Sr. Gianni Infantino, atual presidente da FIFA – Federação Internacional de Futebol. 

São inúmeros os casos ocorridos até agora. A começar pela atitude criminosa do árbitro de VAR Shaun Evans, da Austrália, flagrado fazendo o gesto da “Supremacia Branca”, da organização “White Power”, durante a transmissão oficial de uma partida. 

Mas, chamam a atenção também as situações de racismo explícito que têm sido promovidas pelo atual governo dos EUA, que tem à frente o totalitário presidente Donald Trump,com o impacto das restritivas políticas de imigração, que vem afetando diretamente os países participantes. 

São dificuldades que afetam as nações submetidas a restrições de visto dos EUA, como Irã e Iraque, cujos membros de comissões técnicas e dirigentes foram barrados ou tiveram seus vistos negados. Isso, inclusive, forçou o Irã a mover sua base de treinamento para o México, exigindo absurdos deslocamentos para efetivar a participação de sua seleção. 

Há também “Barreiras para Torcedores”. A Anistia Internacional e outras 100 ONGs emitiram alertas de viagem devido ao aumento das revistas e ao risco de discriminação na fronteira. Centenas de torcedores de países africanos e do Oriente Médio, como Senegal e Marrocos, tiveram vistos negados, e federações denunciaram cotas de ingressos revogadas. 

Grupos de direitos humanos, como a Human Rights Watch, solicitaram uma trégua para a fiscalização da imigração em locais de jogos, enquanto capitães de seleções africanas criticaram publicamente as barreiras impostas aos seus torcedores. 

E ganhou bastante destaque a situação com o Árbitro do Senegal, Omar Artan, considerado o principal árbitro da África e um dos sete juízes africanos convocados pela FIFA, que foi impedido de entrar nos Estados Unidos com acusações infundadas de vínculo a grupos terroristas. Ele foi barrado no Aeroporto de Miami, submetido a longos interrogatórios de segurança e acabou deportado, o que o impediu de atuar no torneio. Posteriormente, ao retornar, o árbitro foi recebido como herói em seu país de origem. 

A sessão desta terça-feira, 23 de junho, em que este REQUERIMENTO é apreciado, acontece num momento em que há uma significativa e bonita mobilização nacional, com a população torcendo pelo avanço da Seleção brasileira no torneio. Como torcedores, também esperamos que conquistemos a “Taça” e o tão esperado “Hexacampeonato”. 

Mas, emoções à parte, não podemos nos silenciar perante essas atrocidades institucionais, que estimulam o ódio, o preconceito, a violência e o racismo. Assim como não podemos tolerar a omissão criminosa da FIFA. Não é esse o propósito dos esportes e de um torneio mundial de futebol. 

Outras proposituras protocoladas nas sessões 37 e 38 de 23 de junho de 2026. 

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