Reprodução de vídeo utilizado pelo secretário adjunto de Segurança, Carlos Secco, no momento em que afirmou “um petista a menos, sem dúvida!”, diante de corpo dentro da ambulância.  

 

O vereador Ricardo Alvarez (PSOL) protocolou uma representação no Ministério Público (MP) nesta sexta, 17, cobrando investigação contra o secretário adjunto de Segurança de Santo André, Carlos Secco, por estímulo à violência política. 

O servidor público, indicado pelo prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania), postou em suas redes um vídeo em que acompanha uma perseguição policial que acaba com um suspeito baleado, quando Secco afirma: “Lindo trabalho! Um petista a menos, sem dúvida. Senta o aço. É isso aí!”. 

“Como é que pode uma coisa dessas? Um cargo de confiança do prefeito, num espaço dedicado à Segurança, incentivar a violência deliberadamente. O prefeito Gilvan tem a obrigação de dar uma resposta à altura, com a exoneração imediata deste servidor”, cobrou Alvarez. 

Em seu perfil com 144 mil seguidores, é comum o secretário misturar estímulo à violência com política partidária e religião, em vídeos sensacionalistas, com exibição de armas, recheados de incentivo à violência policial, com a desculpa de garantia de segurança. 

De acordo com a representação, a “conduta descrita apresenta elementos típicos de incitação à violência e de discurso de ódio, especialmente quando proferida por servidor investido em cargo diretamente ligado à segurança pública e à coordenação de operações policiais”.

A comemoração gravada em vídeo e postada na rede expressa uma visão inconcebível do papel de um agente público de Segurança, que estimula a violência e coloca em risco toda população de Santo André, sobretudo em ano eleitoral e de polarização política.  

O presidente da Federação PSOL/Rede Sustentabilidade e do Instituto Futuro, entidade da cidade de São Paulo que defende os direitos humanos e a democracia inclusiva, Juliano Medeiros, também se manifestou contra a reação criminosa do secretário. 

Ainda na representação, Alvarez alega que “expressão _um petista a menos_ não é uma mera opinião política, mas uma declaração que vincula a morte de um cidadão à sua filiação partidária, produzindo efeito de condenação social e de legitimidade da violência sobre o grupo político‑partidário identificado. Tal conduta viola os rincípios de não discriminação e dignidade da pessoa humana…”

“É inadmissível que um servidor da secretaria de Segurança, indicado pelo prefeito, estimule e incite a violência e o ódio político, sem responder criminalmente por isso. Todo apoio à representação e ao afastamento do secretário imediatamente”, defendeu Medeiros. 

Vale lembrar que o estatuto da GCM (Guarda Civil Municipal) de Santo André, subordinada à Secretaria de Segurança, da qual Secco é adjunto, defende a “proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e das liberdades públicas…”

E ainda, a “preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas”, texto que o próprio secretário adjunto parece não conhecer.